O link Teatro e Londrina: Histórias é um estudo histórico sobre o teatro londrinense, a partir da coleta de 34 entrevistas junto à artistas teatrais da cidade (escritores, atores, atrizes, palhaços, técnicos, grupos teatrais), captadas em formato de vídeo. Como o teatro em Londrina é bem mais antigo que o trabalho do grupo, propõe-se compreender melhor como essa prática social e cultural se engendrou em Londrina, em períodos históricos distintos. Ao mesmo tempo, a concepção viva da história levou-nos a mapear também o trabalho de grupos e artistas contemporâneos, que continuam a produzir na cidade.

As entrevistadas foram realizadas num tom narrativo, não seguindo uma pauta rígida, mas sempre conjugando trajetória de vida do entrevistado e momento histórico da cidade de Londrina em consonância com a prática teatral. Esse material representa uma proposta de pesquisa histórica inédita coordenada pela Cia. Teatro de Garagem, já que na internet não existem informações sobre a história do teatro londrinense, que, na verdade, encontra-se espalhada em acervos pessoais, em alguns livros, dissertações e monografias, e viva na memória de seus fazedores e ex-fazedores.

Essa concepção viva da pesquisa é nosso ‘perigo’, como bem pensa Walter Benjamin, filosófo alemão perseguido pelo nazismo: “Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “como ele de fato foi. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo.” (BENJAMIN. Sobre o Conceito de História. 1940. p.224).

Aconselhados pelo filósofo nossa tarefa é olhar o passado no momento presente, sabendo que o perigo da dominação elitista também atinge o teatro, e ele não pode se conformar com essa situação. As lições de resistência ao nazismo de Benjamin são frutíferas ao nosso estudo, já que a ditadura militar brasileira também subjulgou a vida e a livre expressão através de uma ação brutalmente militarizada, que marcou também a trajetória do teatro londrinense. Barbáries são sempre barbáries aqui, em Buenos Aires ou em Berlim. No momento presente o inimigo vence pelo consumo desejado por todos como libertação, e sua face é múltipla e nebulosa.

Já que “os mortos também não estarão seguros se esse inimigo vencer” a Cia. Teatro de Garagem projeta algumas histórias do teatro londrinense, cuja essência se encontra dispersa ao que tange a construção de um fazer-teatro mais popular.

A concepção da pesquisa contempla a postagem de 34 vídeos com duração de 50 minutos, o que representa uma anti-visão na atual produção videográfica para internet. A intervenção do grupo diante da história do teatro londrinense está disponível praticamente na íntegra, para que novas intervenções e reedições possam ser ativadas.

O teatro costuma morrer e reviver a partir de suas apresentações, mas suas impressões ficam, e podem alterar ações da vida cotidiana. E a vida cotidiana dos londrinenses, como um todo, mesmo arraigada em um certo hábito de fruição teatral, ainda urge de mais entretenimento e reflexão, para que o mesmo cotidiano possa ser verdadeiramente transformado. Arte, cotidiano e transformação social essa é a utopia popular defendida pela grupo.

Ficha técnica

Coordenação do projeto: Danilo do Amaral
Produção dos Vídeos da pesquisa histórica: RGB7
Fotografia pesquisa histórica: Natalia Turini
Colaboração na pesquisa histórica: Apollo Theodoro
Entrevistadores: Danilo do Amaral, Everton Bonfim, Apollo Theodoro, Jobert Castro, Hebert Proença e Miguel Matoso
Produção: Cia. Teatro de Garagem
Entrevistados: Ceres Vittori, Nitis Jacon, Apolo Theodoro, Mauricio Arruda Mendonça, Thais D’ Abronzo, Mauro Rodrigues, Camila Fontes – TOU, Linda Bulik, Jeso Soares, Silvio Ribeiro, Edna Aguiar, Luis Eduardo Pires, Fernando Góes, Luis Henrique Silva, Darwin Rodrigues, Mário Bortolotto
Paulo de Moraes, Donizetti Buganza, Paulo Braz, Alcides Carvalho, Ricardo Marcelo Carioca, Altair Borracha, Alexandre Simioni, Artistas de Rua (Miguel Matoso / Rodrigo Gestápia), Paulo Gutierrez, Márcio Américo, Lázaro Câmara, Remir Trautewig, Casas das Fases, Ás de Paus, Fábrica do Teatro do Oprimido, Plantão Sorisso, Criando Liberdade, Boca de Baco.

Agradecimentos

Casa de Cultura da UEL na pessoa de Adriane Maciel e Camilo Scandolara; Cine Teatro Ouro Verde, seus funcionários e Thais D’ Abronzo; Teatro Zaqueu de Melo na pessoa de Jeso Soares; Paulo Braz e Espaço Filo; Alexandre Simioni e SESC Londrina; Camila Fontes e TOU; Escola Municipal de Teatro e Silvio Ribeiro; Fábrica de Teatro do Oprimido, Casa das Fases, de cafés e prosas; Vila Cultural Cemitério de Automóveis; Adega de Alcides Carvalho; Edificio Júlio Fuganti, Usina Cultural e cuidadores da Concha Acústica.