De Acordo com o minidicionário Sacconi de Língua Portuguesa, um dos significados para a palavra Paixão é “Movimento impetuoso da alma”. O estado de espírito, assim traduzido, também dá nome ao espetáculo de formatura da terceira turma do Curso de Iniciação Teatro de Garagem. O “Movimento” acontece dentro de uma casa, onde os espectadores são conduzidos pelo Arauto através dos cômodos (varanda, sala, cozinha, garagem e quintal) em direção ao “infinito das paixões”, onde coexistem diferentes paixões: a paixão carnal, o apego pela natureza, pelo prazer, pelo palco ou pelo mar.

Os vários espaços da casa são transformados em diferentes cenários de uma viagem que perpassa linguagens e histórias em cada cena, num caminho que é também uma celebração das paixões. Através de estímulos sensoriais (auditivos, visuais, olfativos) explora-se a própria experiência de ir ao teatro, de interagir entre o espaço do público e o da cena, e novas maneiras de fazer o espectador participar deste processo. A fantasia irrompe e transforma o espaço, que é tomado pela presença de dois clássicos personagens: Dom Quixote e seu inseparável companheiro Sancho Pança. As paixões, em todas as suas manifestações, florescem então a cada cena da peça, propositalmente fragmentada, criando a partir dessas ideias mitológicas uma atmosfera que passa a habitar o espaço cotidiano e a ressignificá-lo em cada cena.

Neste ambiente, presenciamos os esforços de Zefa (uma sábia e enigmática senhora do campo), ou do Médico (às voltas com explicações e pareceres científicos sobre a paixão). Esbarraremos, também, com um Escrivão defendendo poeticamente seu prazer –dificultado ou proibido – de fumar, e seremos diretamente convidados pelo “Apresentador” do cabaré a apreciar uma “representação teatral” dentro da peça. Seguem-se, então, as direções do Capitão de um navio, deliberadamente misturando público e personagens ao ordená-los sentados lado a lado na embarcação.

O momento final, com garrafas onde os espectadores colocam os seus pedidos para lançá-los ao “mar”, dá metaforicamente voz aos que têm paixões e desejos, aos que permanecem celebrando o universal sentido das paixões humanas, escrevendo aos Deuses controladores das Paixões.

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Ficha Técnica

Elenco: Ana Alice Cafola, André Hereck, Cloves Cardoso, Elisangela de Pádua, Everton Bonfim, Herbert Proença, Lincoln Normando, Miguel Matoso, Rafael Avansini, Rodrigo Feitosa e Tiago Garcia.
Direção: Everton Bonfim
Concepção do espaço: criação coletiva
Dramaturgia: Herbert Proença, Everton Bonfim, Rafael Avansini e Tiago Garcia.
Colagens de poemas de letras de músicas dos autores: Tom Zé, Thiago de Mello, Manuel de Barros, Mário Quintana, Bernardo Guimarães, Alice Chaves, Paulo Marques, Leandro Proença e Álvaro de Campos.
Trilha Sonora: Caíque Bellaver
Iluminação: Everton Bonfim e Rafael Santos de Barros.
Figurinos: Nathalia Onken
Cenário: O grupo
Programação Visual: Franchico
Contrarregra: Jussara Ruas
Fotos: Isabela Figueiredo
Oficina de coco: Daniela Fioruci
Edição de vídeo: Natália Alves Nunes