Utilizando-se da metalinguagem, a peça desnuda conflitos cotidianos do universo dos fazedores de teatro. O Diretor 22479 convoca um teste seletivo de atores para sua nova montagem. Para sua decepção só aparecem atores iniciantes. A partir daí a trama desenrola-se numa tensão constante entre a postura tirana do diretor e as inexperiências e experiências pessoais de cada ator.

Nenhum dos personagens tem nome próprio. São identificados pelo número. Metáfora para a condição de seres sujeitados a uma ordem econômica capitalista, que bate de frente com ofício teatral. A pressão desse “sistema” minando o sonho de viver de teatro é sentida em vários momentos. Na cobrança da família, na falta de dinheiro, nas obrigações sociais, nas relações afetivas e principalmente na figura do Inquisidor, personagem totalmente alheio à história que aparece de tempos em tempos para julgar e sentenciar os atores. No momento em que os personagens são intimados a dar seus depoimentos, deixam cair as máscaras sociais que ostentam o tempo todo, do tirano, do submisso, do sonhador. E é justamente ao revelarem seus medos e fragilidades que correm o risco de serem condenados pela grande força normatizadora.

A encenação para as ruas recria uma poética teatral vinculada aos delírios do inconsciente, estabelecendo uma conexão diferenciada com o público das ruas ao mostrar que estamos todos amarrados às mesmas regras, despotismos e conflitos demasiadamente humanos, mas que encontrando um instrumento que dê vazão as nossas angústias e frustrações é possível enfrentá-las. O instrumento que encontramos para isso é justamente o teatro.

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Ficha técnica

Texto original: Everton Bonfim
Fragmentos de texto: Carlos Drummon de Andrade, Ferreira Gullar, Clarice Lispector, Hilda Hilst
Texto complementar: Elenco
Elenco: Ana Sardinha, Danilo do Amaral, Everton Bonfim, Laura Lago, Letícia Ferreira e Manu Arruda
Dramaturgia e direção: coletiva
Oficinas de criação artística: Elenco
Treinamento para atores: Thais D’Abronzo
Preparação vocal: Meire Valin

Músicas
“Olhos Azuis” de Everton Bonfim
Poema musicado por: GUY
“Asa Branca” de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Arranjo para Violino: João de Carvalho Luppo, Danilo do Amaral

Figurino, cenário, ilustrações, programação visual e produção: Alex Lima e Daniele Stegmann
Cabelos: La Peluqueria
Costureira: Aparecida Fernandes
Marcenaria: Seu Vitório