O texto de Everton Bonfim é livremente inspirado na Canção “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque. Partindo da canção, o processo de construção do espetáculo teve sua origem no ano de 1998, quando Bonfim concebeu o texto para um grupo de iniciantes. Em 2008, uma nova montagem com a Cia. Teatro de Garagem operou uma recriação da peça, desde o início concebida para a rua. A nova montagem pôde trazer alguns profissionais, realizar oficinas e aperfeiçoar o trato dos atores com técnicas de circo, com a percussão de ritmos brasileiros, o canto e a pesquisa sobre o teatro de rua e teatro épico.
A peça aproveita a história narrada na canção de Chico como material de trabalho. Com uma nova roupagem, circense e de rua, a personagem Geni é uma travesti-prostituta que se deita com qualquer um e é desprezada pelos supostos “cidadãos de bem”. Um belo dia aparece um militar poderoso que ameaça dizimar tudo, mas cai de amores por Geni e promete poupar a cidade se ela deitar-se com ele. Geni reluta, a população implora, ela atende. O poderoso chafurda nas suas carnes a noite inteira e parte ao amanhecer. Quando Geni, crente que agora tinha o respeito de todos, se prepara para dormir, começa a gritaria com a emblemática frase: “Joga pedra na Geni!”
O desprezo à Geni por parte dos habitantes da cidade é apresentado de maneira distanciada pelo Narrador, que pontua claramente os interesses pessoais de cada personagem na trama, situando o público e colocando-o para refletir a cada situação vivida por Geni. O caráter fragmentário do teatro épico estabelece uma autonomia entre as partes da peça, possibilitando também a apresentação das personagens, estimuladas pelo Narrador, que criam cenas independentes da trama central, resultando em uma ação dramática constantemente interrompida e mostrando ao espectador “recortes” de uma vida passível de modificação.
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Ficha Técnica
Elenco Teatro de Garagem: Adelita Siqueira, Carolina Gambarini, Danilo do Amaral, Laura Lago, Lincoln Normando, Manuel Arruda, Vinicius Kafo
Elenco Convidado: André Castanheira, Cahuh Spisla, Fernanda Lina, Jessica Rezende, Júlia Marques, Miguel Matoso Corrêa, Scarlett O’Hara Costa
Substituição de Elenco: Rafael de Barros, Herbert Proença, Letícia Ferreira e Ana Sardinha.
Dramaturgia e Direção Cênica: Everton Bonfim
Direção Musical: Edgar de Abreu e Miguel Arruda
Preparação Corporal: Paulo Roberto Líbano de Paula
Composições e Arranjos Vocais: Celso Branco
Concepção de Cenário: José Luiz da Silva
Concepção de Figurino: Lara Haddad
Concepção de Maquiagem: Mara Braga
Costureira: Maria Hortência Nogueira Porto
Customização de Cenário e Figurino: Alex Lima e Daniele Stegmann
Fotografia: Isabela Figueiredo
Programação Visual: Marcio Yugi, OAPO Design
Produção: Carolina Gambarini e Danilo do Amaral
Oficineiros Convidados:
Américo Rosário de Souza (Gravatá Prosa e Verso/ Sertãozinho – SP)
Oficina: Teatro Popular
Miriam Fontana (Fora do Sério/ Ribeirão Preto)
Oficina: Teatro de Rua
Celso Branco (Rio de Janeiro)
Oficina: Preparação Vocal
Mara Braga (São Paulo)
Oficina: Maquiagem
Claudia Lyra (Crew/ San Diego – USA)
Oficina: Percussão Corporal