O Curso Livre Teatro de Garagem é parte fundamental da trajetória teatral da Cia. Teatro de Garagem desde 2006, mesmo ano de criação do grupo. Incialmente intitulado como Curso de Iniciação Teatro de Garagem, a sua proposta baseava-se em introduzir técnicas de treinamento de ator aos interessados, sem a necessidade de uma experiência prévia. Esse ambiente de aprendizagem utilizava-se de jogos coletivos, técnicas de expressão corporal, noções de uso da voz, danças populares, improvisos teatrais coletivos, com a finalidade de frutificar um exercício de montagem teatral como formatura. Sob este nome antigo o curso produziu independentemente as seguintes montagens: Brosogó, Militão e o Diabo (2006); Além Áurea (2007); Movimento Impetuoso da Alma (2008); Viskovitz (2009).

Em 2009, o Curso Livre foi proposto como continuidade do Curso de Iniciação, já que alguns alunos sinalizavam a vontade de continuar com a prática teatral após o término da montagem final. Sendo assim, a Cia. se organiza e propõe um curso mais aprofundado fundamentado em três eixos principais, sendo eles: dramaturgia do ator e seus treinamentos físicos; sistematização de textos sobre dramaturgia de apoio à prática das aulas; e experimentação de modos de direção, escritura dramatúrgica e criação coletiva. Também de forma independente aos financiamentos públicos e seus enquadramentos estético-políticos o Curso Livre Teatro de Garagem produziu duas montagens: Helena dos Sonhos (2009); Fragmentos de Manga com Leite (2010).

A partir de 2010, o grupo opta pela realização somente do Curso Livre Teatro de Garagem, conjugando as propostas pedagógicas do grupo experimentadas desde o curso de iniciação. O público dos cursos ao longo desses cinco anos de existência constituiu-se de universitários de diversas formações profissionais, o que alimentou a multiplicidade de referências no trabalho artístico-pedagógico, já que o espaço de experimentação construído no curso serviu sempre como renovação dos colaboradores do grupo.

A história do Curso Livre Teatro de Garagem de fato relaciona-se com a própria sobrevivência do grupo para além dos financiamentos públicos, pois de um lado, representou a possibilidade de obtenção de uma renda mínima para despesas de aluguéis de espaços de ensaio por meio de uma mensalidade cobrada dos alunos, e por outro lado, constituiu um espaço frutífero de experimentação cênica para os integrantes do grupo que encenavam as montagens finais do curso ao lado dos alunos. Soma-se a essa essência pedagógica do Curso Livre, a política de bolsas de gratuidade aos alunos sem condição de pagamento da mensalidade.

As condições materiais mínimas para realização do curso pautaram a condução das práticas artístico-pedagógicas do Curso Livre entre a iniciação e a experimentação cênica, entre o amadorismo e o semi-profissionalismo, a precariedade e a criatividade, principalmente ao que tange o uso de espaços fechados alternativos como espaço de cena, uma cena mais intimista e vivenciada pelo público.